domingo, 7 de dezembro de 2008

Tempo

Só vou ter tempo 
Quando não tiver mais tempo
Quando eu for só vento 
E for eterno meu momento 

Só vou ter tempo no dia
Em que não forem as horas
Sempre tardias 
Quando forem agora
Todos os depois 
Vou ter tempo, apenas 
No dia em que as horas
Não forem problemas 
E que minutos
Forem Poemas 

Quando as palavras minhas
Forem lembranças
E as vontades, sozinhas 
Se mudarem em mudanças 

No dia em que o tempo perdido
Fizer todo o sentido

Vou ter tempo, quem sabe
Quando eu for, só tempo. 

São Paulo em Duas Prestações Semestrais

Seu céu é cinza como a crua
Realidade dos apressados pela rua 
Que também cinza recebe almas 
Opacas desse espetáculo sem palmas 
Acelerado, sem calma 

Corações virando concreto
Ignoramos placas que indicam fim do trajeto
O mundo edificando sinas 
Planos se quebrando em esquina 
Lamentos em gritos que viram buzinas 

Sinas se fecham pra vida que passa
Sonhos, nem nascem, já viram fumaça
Que sobem, com ar ranzinza
E se juntam ao céu, cinza no cinza. 

Mas é real. Como tudo que vejo. 
E é possibilidade como o que eu almejo
É concreto e neblina
Meu destino, minha sina
E ainda dizem que te escolhi 
Mal sabem, foi aqui que nasci
Dentro da ilha sempre houve
Uma ilha de cidade
Algum em mim, sempre soube
Que como Caetano
Te chamaria realidade. 


quarta-feira, 7 de maio de 2008

Haicais


Certezas são como areia
Imponentes castelos 
Antes da maré cheia 

--

Nervos de aço 
Pra resistir a cada
Poema que não faço

---

A palavra é a ponta 
do iceberg 
Que desponta 

sábado, 3 de maio de 2008

1000km


Vivo uma incompleta
Vida completa 
A distância di
vide
O que 
O coração, em revide,
Usando do que dispõe
Unenquantocompõe

terça-feira, 29 de abril de 2008

Part Ir

Quando se parte
O partir, 
Me desagrada em parte
A parte do ir