Caminho entre heróis fálidos, sonhos feitos de plástico bolha
Brinco de algoz comigo quando volta o elástico de cada escolha
O sereno esfria os ombros já cansados de sentir tentar
Levantar todos os escombros que eu me vi provocar
Sigos os postes da cidade e a luz que ascende das centelhas
Acende o apagar de bilac, orienta quem não mais entende esrelas
Tentei afogar demônios via porre de um copo de vodka
Em vão, a refração os fez maiores numa desilusão de ótica.
terça-feira, 15 de março de 2011
domingo, 21 de novembro de 2010
domingo, 29 de agosto de 2010
Um pedaço em duas partes.
Um pedaço de mim foi pra lá
Outra parte ficou por aqui
Parte de cá quer se despedaçar
Pedaço dali quer partir
Um pedaço quer partir tudo pra já
Outra parte não quer fazer parte do fim
Pedaço partiu, parte fez parar
Porque minha parte de lá tem um pedaço de mim.
Outra parte ficou por aqui
Parte de cá quer se despedaçar
Pedaço dali quer partir
Um pedaço quer partir tudo pra já
Outra parte não quer fazer parte do fim
Pedaço partiu, parte fez parar
Porque minha parte de lá tem um pedaço de mim.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Soneto
Queria navegar em marés calmas
Por um tempo esquecer as tempestades
E quem sabe até sentir saudades
Dos mares revoltos de minh'alma
Fazer minha bússola perder o norte
E me guiar só por estrelas
Se é preciso amar para entende-las
Não estarei entregue a pura sorte
E ao amanhecer, de mais um dia
Vou, embalado pela calmaria,
Buscar, sem mapas, outra conquista
Içar minhas velas, rumo ao futuro
Em busca de um porto, enfim seguro
Pra ouvir de novo, terra a vista
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Preciso acreditar no poder da palavra
Além de musculo, máquinas, armas
Pois sou, aurora-crepúsculo,
Páginas e páginas de karma
Preciso crer que me acalma,
Se nunca se ausenta.
Ver que ao menos me salva
Se não me sustenta.
Se tanto me atormenta,
Quero crer, ao menos me consagra
Palavra, palavra, palavra.
domingo, 7 de dezembro de 2008
Tempo
Só vou ter tempo
Quando não tiver mais tempo
Quando eu for só vento
E for eterno meu momento
Só vou ter tempo no dia
Em que não forem as horas
Sempre tardias
Quando forem agora
Todos os depois
Vou ter tempo, apenas
No dia em que as horas
Não forem problemas
E que minutos
Forem Poemas
Quando as palavras minhas
Forem lembranças
E as vontades, sozinhas
Se mudarem em mudanças
No dia em que o tempo perdido
Fizer todo o sentido
Vou ter tempo, quem sabe
Quando eu for, só tempo.
São Paulo em Duas Prestações Semestrais
Seu céu é cinza como a crua
Realidade dos apressados pela rua
Que também cinza recebe almas
Opacas desse espetáculo sem palmas
Acelerado, sem calma
Corações virando concreto
Ignoramos placas que indicam fim do trajeto
O mundo edificando sinas
Planos se quebrando em esquina
Lamentos em gritos que viram buzinas
Sinas se fecham pra vida que passa
Sonhos, nem nascem, já viram fumaça
Que sobem, com ar ranzinza
E se juntam ao céu, cinza no cinza.
Mas é real. Como tudo que vejo.
E é possibilidade como o que eu almejo
É concreto e neblina
Meu destino, minha sina
E ainda dizem que te escolhi
Mal sabem, foi aqui que nasci
Dentro da ilha sempre houve
Uma ilha de cidade
Algum em mim, sempre soube
Que como Caetano
Te chamaria realidade.
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